domingo, 27 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
DESEJAMOS A TODOS UM PRÓSPERO ANO NOVO DE 2010 , REPLETO DE REALIZAÇÕES PESSOAIS ESTENDIDO A TODA FAMÍLIA.
PELA CORAGEM COMBATIVA EM DEFESA DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
QUE CADA UM POSSA FAZER A SUA PARTE ONDE ESTIVER E , EM QUE SITUAÇÃO SE ENCONTRE
ESTEJAM EM PAZ
I.D.D.P.H. - INSTITUTO DE DEFESA DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
ANDRE
CEL 9606-7642
domingo, 22 de novembro de 2009
A antropologia forense dá passos em diferentes áreas de investigação
A antropologia forense dá passos em diferentes áreas de investigação, embora seja uma ciência recente. A estrutura óssea e a dentária podem fornecer elementos nos domínios mais variados, desde a simples identificação do sexo à etnia, muito úteis em cenários de catástrofe e atentados.
IdentidadeO crânio, a região pélvica e o tórax permitem estabelecer é o sexo do cadáver. A altura é identificada pela medição de alguns ossos, como o fémur.
Etnia
Podem determinar-se características populacionais através do ângulo facial, forma do crânio, índices cefálicos e índices radioumerais.
Causa de morte
A causa da morte só pode ser estudada em situações que deixem marcas como fracturas, ferimentos por armas de fogo ou intoxicações crónicas.
Catástrofes
Em desastres naturais, como um terramoto ou um tsunami, por vezes, a forma mais eficaz de reconhecimento é feita pela identidade óssea e dentária.
Identificação em atentados, incêndios. As equipas de antropologia forense foram fundamentais na identificação das vítimas do 11 de Setembro.
Pedofilia
Estudo morfométrico da cara permite reconhecer crianças e adolescentes a partir de imagens de redes pedófilas. E prever o seu envelhecimento.
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1426463
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Homossexualidade e formas de vida da sua nomeação
Certamente que a via ou o método que escolhermos para, para abordar, tanto a questão da homossexualidade, como a das formas de vida socialmente aceitáveis dos homossexuais e a da sua nomeação, condicionará o juízo ou a conclusão a que se quer chegar. Os católicos e a Igreja sempre têm, na sua matriz cultural e na sua tradição doutrinária, como referência, principal e principial a via filosófico-teológica. A história, longa de muitos séculos, tem confirmado a pertinência desta forma de abordagem, determinante mas não excluente, e capaz de integrar várias outras aportações, nomeadamente as das ciências humanas.
A abordagem filosófico-teológica é, aqui e sempre, a de uma filosofia que se deixa iluminar pela teologia e a de uma teologia que se abre aos desafios e às mediações da filosofia. Se alguém quiser, por aproximação, saborear a beleza e as implicações desta forma de abordagem, pode, por exemplo, ler e meditar, com proveito, a Evangelho da Vida, de João Paulo II.
A personalização da existência dos humanos tem a sua raiz na disponibilidade ontológica com que fomos agraciados pela doação da vida, a exigir e a suportar a nossa abertura e a nossa relacionalidade, a nossa identidade e a nossa diferença. Quando os humanos se fecham a esta dimensão incontornável da sua humanidade, tornam-se desumanos, porque iludem e escondem a sua marca de transcendências, substituindo-a pela soberba e pela idolatria de si mesmos, numa perda de sentido que lhes rouba dignidade e altura espiritual. A palavra com que, no étimo latino, se diz a pessoa e o personalizar – per+sonare – já indicia esta excelência do superlativo da per-feição (como, por exemplo, no per-doar, no per-durar e em tantas outras nomeações).
Por isso e desde este ponto de vista, algumas formas de vida têm de ser consideradas como mais personalizantes e mais humanizantes, enquanto outras, pelo contrário, podem e devem mesmo chegar a ser consideradas como despersonalizantes e desumanizantes.
Alguma da nossa incultura dominante pretende começar por logo subverter a nossa forma de olhar a realidade, tornando-nos o modelo quase acabado do homo cyberneticus, aquele que apenas reage a estímulos e a estimulações e se orna incapaz de ver para além da superfície das aparências, desde logo na forma de sentir a corporalidade do seu corpo. O que então se acaba por perder é evidentemente a própria realidade na sua fundura ontológica, substituindo-a, p. ex., por “paradas” e por campanhas, subvertendo de caminho a nossa capacidade de nomear e de respeitar a palavra e as palavras.
A palavra e as palavras deixam então de ser parábolas (evangélicas e evangelizadoras) da realidade e ficam apenas reduzidas a catálogo de classificação de estímulos mais ou menos instintivos, mesmo se a soberba dos legisladores lhes vier a dar a (fraca) “força” de uma lei…
A natureza e a sua lei – essa sim, natural e humanamente eco-lógica – põe-nos diante dos olhos e logo à frente do nariz a diferença de género e como são os humanos sobre a terra: homens e mulheres, masculinos e femininos. Tanto a sabedoria das culturas, como a ciência, têm sabido discernir e assumir as formas aceitáveis e os níveis a que se possa, responsavelmente e no tempo longo, compatibilizar igualdade e diferença de género. A diversidade de formas de vida deve respeitar a vida na diversidade da sua riqueza, sob a condição de a não ofender, tanto na sua nomeação como na sua essência.
Aqui a sexualidade e o amor são ontologicamente e eticamente incontornáveis e mutuamente se condicionam na força da sua expressividade. O respeito pela sua natureza não se pode reduzir a uma questão de excitação de hormonas, nem é redutível ao redutor dualismo homofobia-homofilia, de sabor quase gnóstico e perigosamente platonizante. A tentativa de perverter, casuisticamente e publicitariamente, o sentido e o senso (comum) das palavras ou da nomeação dos nomes, em nada altera a sua vinculação a realidades que têm a seu favor a força da lógica da vida (biologia, fisiologia e outras) e a sua manifestação (aparição e aparência) na natureza dos humanos, onde a sexualidade está presente em todas as dimensões da existência, nomeadamente, p. ex., sob a forma do carinho (da encarnação da carne e das palavras que a tentam dizer) e muito para além da genitalidade somática.
A homossexualidade significa perda de possibilidades da personalização, Ainda mais grave se afecta aqueles que, pela pouca idade, estão em processo de formação e de personalização e ainda sem referenciais de abertura a horizontes de experiência. Este empobrecimento ontológico remete para um perigoso embotamento e empobrecimento éticos.
Nos papéis – envergonhados e quase desfeitos pela chuva – pendurados na publicidade anónima das paredes na baixa de Lisboa, chegavam ao ponto de pretender pressionar e condicionar até a própria ciência, ao exigirem o que chamavam a despatologização da homossexualidade. Alguma imprensa já chamou a esta questão, fracturante do bom senso comum, mania ou moda e outras nomeações bem menos simpáticas…
Uma antropologia filosofante – que é muito mais do que a soma de andrologias e de ginecologias e lhes é anterior e posterior— não pode esquecer a ontologia e a ética e torna-se caminho capaz de ajudar a encontrar mais e melhor sentido, nas manifestações da existência dos humanos, e a superar dificuldades. A atenção aos fenómenos mais significantes do nosso existir – a alegria, o desejo, a vergonha, o respeito, o nascer e morrer, o amar e muitos outros – ensinar-nos-á que, até as aparências, podem e devem deixar de nos iludir, se chegarmos à sua densidade ética e ontológica.
Se desafiarmos esta antropologia filosófica com a sabedoria e a riqueza de uma antropologia teológica – bíblica e de sapiência eclesial – e os horizontes de interpretação que abre e oferece, então a caminhada existencial, pessoal e personalizante, cultural e historial íntima e socializável, ficará mais bela e mais facilitada.
A liberdade, um bem tão ontologicamente precioso e felizmente tão querido no nosso tempo e à nossa linguagem, tão estruturante da personalização da nossa personalidade, será então, de verdade, uma realidade libertadora…
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=76177
A abordagem filosófico-teológica é, aqui e sempre, a de uma filosofia que se deixa iluminar pela teologia e a de uma teologia que se abre aos desafios e às mediações da filosofia. Se alguém quiser, por aproximação, saborear a beleza e as implicações desta forma de abordagem, pode, por exemplo, ler e meditar, com proveito, a Evangelho da Vida, de João Paulo II.
A personalização da existência dos humanos tem a sua raiz na disponibilidade ontológica com que fomos agraciados pela doação da vida, a exigir e a suportar a nossa abertura e a nossa relacionalidade, a nossa identidade e a nossa diferença. Quando os humanos se fecham a esta dimensão incontornável da sua humanidade, tornam-se desumanos, porque iludem e escondem a sua marca de transcendências, substituindo-a pela soberba e pela idolatria de si mesmos, numa perda de sentido que lhes rouba dignidade e altura espiritual. A palavra com que, no étimo latino, se diz a pessoa e o personalizar – per+sonare – já indicia esta excelência do superlativo da per-feição (como, por exemplo, no per-doar, no per-durar e em tantas outras nomeações).
Por isso e desde este ponto de vista, algumas formas de vida têm de ser consideradas como mais personalizantes e mais humanizantes, enquanto outras, pelo contrário, podem e devem mesmo chegar a ser consideradas como despersonalizantes e desumanizantes.
Alguma da nossa incultura dominante pretende começar por logo subverter a nossa forma de olhar a realidade, tornando-nos o modelo quase acabado do homo cyberneticus, aquele que apenas reage a estímulos e a estimulações e se orna incapaz de ver para além da superfície das aparências, desde logo na forma de sentir a corporalidade do seu corpo. O que então se acaba por perder é evidentemente a própria realidade na sua fundura ontológica, substituindo-a, p. ex., por “paradas” e por campanhas, subvertendo de caminho a nossa capacidade de nomear e de respeitar a palavra e as palavras.
A palavra e as palavras deixam então de ser parábolas (evangélicas e evangelizadoras) da realidade e ficam apenas reduzidas a catálogo de classificação de estímulos mais ou menos instintivos, mesmo se a soberba dos legisladores lhes vier a dar a (fraca) “força” de uma lei…
A natureza e a sua lei – essa sim, natural e humanamente eco-lógica – põe-nos diante dos olhos e logo à frente do nariz a diferença de género e como são os humanos sobre a terra: homens e mulheres, masculinos e femininos. Tanto a sabedoria das culturas, como a ciência, têm sabido discernir e assumir as formas aceitáveis e os níveis a que se possa, responsavelmente e no tempo longo, compatibilizar igualdade e diferença de género. A diversidade de formas de vida deve respeitar a vida na diversidade da sua riqueza, sob a condição de a não ofender, tanto na sua nomeação como na sua essência.
Aqui a sexualidade e o amor são ontologicamente e eticamente incontornáveis e mutuamente se condicionam na força da sua expressividade. O respeito pela sua natureza não se pode reduzir a uma questão de excitação de hormonas, nem é redutível ao redutor dualismo homofobia-homofilia, de sabor quase gnóstico e perigosamente platonizante. A tentativa de perverter, casuisticamente e publicitariamente, o sentido e o senso (comum) das palavras ou da nomeação dos nomes, em nada altera a sua vinculação a realidades que têm a seu favor a força da lógica da vida (biologia, fisiologia e outras) e a sua manifestação (aparição e aparência) na natureza dos humanos, onde a sexualidade está presente em todas as dimensões da existência, nomeadamente, p. ex., sob a forma do carinho (da encarnação da carne e das palavras que a tentam dizer) e muito para além da genitalidade somática.
A homossexualidade significa perda de possibilidades da personalização, Ainda mais grave se afecta aqueles que, pela pouca idade, estão em processo de formação e de personalização e ainda sem referenciais de abertura a horizontes de experiência. Este empobrecimento ontológico remete para um perigoso embotamento e empobrecimento éticos.
Nos papéis – envergonhados e quase desfeitos pela chuva – pendurados na publicidade anónima das paredes na baixa de Lisboa, chegavam ao ponto de pretender pressionar e condicionar até a própria ciência, ao exigirem o que chamavam a despatologização da homossexualidade. Alguma imprensa já chamou a esta questão, fracturante do bom senso comum, mania ou moda e outras nomeações bem menos simpáticas…
Uma antropologia filosofante – que é muito mais do que a soma de andrologias e de ginecologias e lhes é anterior e posterior— não pode esquecer a ontologia e a ética e torna-se caminho capaz de ajudar a encontrar mais e melhor sentido, nas manifestações da existência dos humanos, e a superar dificuldades. A atenção aos fenómenos mais significantes do nosso existir – a alegria, o desejo, a vergonha, o respeito, o nascer e morrer, o amar e muitos outros – ensinar-nos-á que, até as aparências, podem e devem deixar de nos iludir, se chegarmos à sua densidade ética e ontológica.
Se desafiarmos esta antropologia filosófica com a sabedoria e a riqueza de uma antropologia teológica – bíblica e de sapiência eclesial – e os horizontes de interpretação que abre e oferece, então a caminhada existencial, pessoal e personalizante, cultural e historial íntima e socializável, ficará mais bela e mais facilitada.
A liberdade, um bem tão ontologicamente precioso e felizmente tão querido no nosso tempo e à nossa linguagem, tão estruturante da personalização da nossa personalidade, será então, de verdade, uma realidade libertadora…
Joaquim Cardozo Duarte
domingo, 8 de novembro de 2009
Lévi-Strauss
7 de novembro de 2009
O século de Lévi-Strauss
Pensador francês morto aos cem anos nos ofereceu um modo de entender o humano como sistema de relação
Ele criou uma teoria inovadora sobre os fundamentos do social; postulou que é possível esboçar a complexidade dos mitos ou dos sistemas de parentesco em poucas equações; propôs que um pensamento sofisticado pode se erigir não apenas sobre conceitos abstratos, mas também sobre categorias do sensível – aliás, ele mesmo o demonstrou numa obra de mais de 3 mil páginas, Mitológicas, que mudou para sempre o modo de entender as culturas indígenas das Américas.Inspirou-se nas analogias entre mitos e música, ou entre as simetrias da natureza e as das criações humanas. Sem recorrer a sentimentalismos ou transcendências – ele era um homem de ciência –, desafiou ideias convencionais sobre a superioridade da civilização ocidental. Sem pregá-la de um modo explícito, sugeriu uma ética não humanista, fincada na diversidade e na distância (que os ecologistas de todo signo deveriam examinar). Foi criticado como formalista frio, mas também como autor demasiado engenhoso: suas ideias mais sérias podiam, às vezes, ter certo ar de charada.
Claude Lévi-Strauss, que morreu em Paris no último dia 31 de outubro, um mês antes de cumprir os 101 anos, costumava dizer nas entrevistas que ele não mais pertencia ao mundo dos vivos, senão a um século findo, e que se sentia feliz de não ter que adentrar muito no atual, num mundo demasiado obeso, onde a humanidade e o lixo que ela produz proliferam sem pejo, a custa de tudo o mais. E, no entanto, suas ideias têm ainda uma longa vida pela frente. Lévi-Strauss teve uma legião de discípulos, mas não criou escola, no sentido estrito de uma facção acadêmica armada de uma ortodoxia. Historiadores ou filósofos foram muitas vezes mais sensíveis às suas mensagens que os seus colegas de profissão. Suas ideias pairam sobre a cultura ocidental do último meio século, não raro semeadas pelos mesmos críticos que tentavam refutá-las: muito do seu estruturalismo tem sobrevivido aos pós-estruturalistas.
“Redescoberto” em vida nos últimos 20 anos, Lévi-Strauss manifestava, digamos, uma dupla personalidade: de um lado, era um intelectual consagrado cujas obras forneciam o cânone para temas como o racismo e o conceito de progresso (o seu texto Raça e História, procedente de uma conferência encomendada pela Unesco nos anos 1950), a universalidade da razão humana (discutida em O pensamento selvagem, o livro de antropologia mais citado fora dos estreitos limites da disciplina) ou o tabu do incesto (ponto de partida de As estruturas elementares do parentesco). De outro lado, ele inspirava inovações radicais nas ciências humanas: se muitos críticos o catalogaram como formalista foi porque provavelmente não chegaram a ler, ou a entender, o conceito de estrutura lévi-straussiano, que não é um esqueleto ou uma armação, mas um conjunto de transformações.
Contra as essências e as identidades, contra a cultura entendida como padrão fixo, Lévi-Strauss ofereceu um modo de entender o humano como contínua variação, como sistema de relações. Em lugar de aceitar os grandes relatos da História ocidental, com suas mensagens edificantes de progresso ou emancipação, ele sugeriu que a história é feita de modos diferentes de perceber a história: como repetição e adaptação de modelos eternos – é o que preferem as sociedades primitivas ou arcaicas, que gostam de ver como velhas conhecidas mesmo as novidades mais ab-ruptas – ou como uma mudança contínua e acelerada, como gosta de acreditar a nossa civilização, que a cada passo declara encontrar coisas nunca antes vistas no mundo. Outros sugeriram que o mito era a história dos primitivos; ele preferiu indicar que a história servia muito bem de mito aos modernos.
Por sua parte, Lévi-Strauss não quis fazer da ciência outro mito semelhante. Se alguma vez projetou submeter a antropologia a uma linguagem matemática, o resultado foi, paradoxalmente, uma modéstia que nem sempre se encontra nas ciências humanas: ao lado dessas poucas fórmulas e equações, o que destaca é o infinito do mundo que os humanos deverão viver sem que nenhum saber supremo o leve da mão. Talvez seja essa a garantia de atualidade de sua obra: em lugar de certezas codificadas, ela oferece um exemplo de imaginação teórica que sempre encontrará novos objetos na experiência.
Nascido em 1908 de pais judeus, Lévi-Strauss esteve no Brasil nos anos 1930, como membro da missão francesa que contribuiu aos inícios da Universidade de São Paulo. Sua estada não deixou rastro na cultura brasileira – ele era um jovem professor, cujos interesses, de resto, eram pouco acordes com as diretrizes daquela USP inicial –, mas foi para ele uma experiência fundamental: no Brasil, ele realizou a longa viagem de pesquisa (narrada por ele depois em Tristes Trópicos) onde pôde conhecer grupos indígenas como os Kaingang, os Bororo, os Kadiweu e os Nhambiquara.
Pesquisas breves, mas ricas em intuições e que esboçariam as linhas iniciais de 60 anos de trabalho de gabinete, e de centenas de publicações. Essa experiência, ao torná-lo um dos poucos especialistas em etnologia sul-americana da época, lhe garantiu também o exílio em Nova York durante a 2ª Guerra, salvando-o dos campos de concentração. Em Nova York, entrou em contato com as vanguardas científicas europeias e com a imensa obra da antropologia norte-americana de então: ele tornou-se, assim, o primeiro antropólogo verdadeiramente cosmopolita, recolhendo na sua reflexão heranças intelectuais muito diversas, e uma abertura exemplar às outras ciências. Voltando à França, em 1948, aquele homem, oriundo de uma família de artistas e com poucas perspectivas de fazer uma grande carreira acadêmica, chegou, ao cabo de 20 anos, a um lugar culminante da ciência e da cultura francesas: membro da Academia Francesa, professor do Collège de France e fundador do Laboratório de Antropologia desta instituição.
O Brasil só se tornou a segunda pátria de suas ideias já nos anos 1970, e, desde então, seu traço é visível na renovação da etnologia e na criação de uma historiografia dedicada aos temas indígenas. Sobretudo, foi ele quem melhor mostrou que os índios – os representantes por excelência desse mundo de outros que constituem a diversidade brasileira –, muito mais que um problema, um signo do passado ou um objeto da assistência social, são uma fonte de reflexão, uma experiência histórica valiosa e insubstituível. Num último lance de humor, Lévi-Strauss nos obriga agora a celebrar, quase sem solução de continuidade, o centenário e a conclusão de uma trajetória excepcionalmente longa e rica.
* Professor do Departamento de Antropologia da UFSC
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&sour
8 de novembro de 2009 | N° 8617Alerta
Eles agem no calor do momento. Elas, de caso pensado
A antropologia trata a questão como cultural. A psicologia, no entanto, dirige o olhar para os aspectos físicos e biológicos que distinguem os gêneros
Doca agiu, à época, como 70% dos homens que participaram da pesquisa de Galicia: no calor da emoção.
A antropóloga Rozeli Porto compara o comportamento masculino ao oposto do feminino:
– A mulher, quando quer matar, espera o homem dormir, ou seja, premedita.
Um caso clássico dessa premeditação ocorreu em 1994, nos Estados Unidos. A equatoriana Lorena Bobbit, cansada das traições do marido, esperou que ele dormisse e, com uma faca de cozinha, cortou quase metade do pênis dele.
A antropóloga trata essa característica como cultural. O que corrobora pesquisas feitas na década de 1930 pela antropóloga americana Margaret Mead. Seus trabalhos demonstraram que as reações podem ser diferentes em outras culturas. A psicologia, contudo, dirige o olhar para os aspectos físicos e biológicos que diferenciam os sexos.
– Homens e mulheres processam de maneira diferente as emoções, e esta diferença não necessariamente seria produto da influência cultural ou social dos gêneros – avalia o psicólogo Oscar Galicia, em entrevista por e-mail, concedida do México.
Galicia fala da possibilidade de influência genética, que poderia interferir no funcionamento cerebral e na descarga hormonal.
– Podemos imaginar o agressor reativo como um indivíduo temperamental, com pouco controle e com baixa tolerância à frustração. Por outro lado, o agressor proativo se apresenta como uma pessoa com maior controle sobre suas emoções, com capacidade de planejamento e de antecipar os benefícios de sua conduta – explica o pesquisador, ao dizer que 90% das mulheres submetidas ao estudo revelaram-se proativas.
Fato é que, na prática, a conduta agressiva está no âmago de homens e mulheres. Ambos alcançam seus objetivos, mas cada um com suas artimanhas.
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&sour
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Claude Lévi-Strauss: o pai da Antropologia moderna
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Claude Lévi-Strauss: o pai da Antropologia moderna
(AFP) – há 2 dias
PARIS, França — Claude Lévi-Strauss foi o fundador da antropologia moderna e pioneiro do estruturalismo, em trabalhos que se tornaram verdadeiros clássicos.Filósofo de formação, percorreu o mundo para compreendê-lo melhor e estudar seus mitos, trabalhando pela reabilitação do pensamento primitivo, às vezes com um olhar moralista.
"Entre Filosofia e Ciência (...), sua obra é indissociável de uma reflexão sobre nossa sociedade e seu funcionamento. Tem um enfoque ecológico do mundo e dos indivíduos", escreve seu biógrafo, Denis Bertholet.
Em suas mais de 30 obras, entre elas a célebre "Tristes trópicos", Claude Lévi-Strauss propôs uma nova abordagem dos mecanismos socioculturais, aplicando a análise estrutural às Ciências Humanas.
Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, em 28 de novembro de 1908, de pais judeus franceses. Em sua juventude, militou na SFIO (Seção Francesa da Internacional Operária). Em 1931, obteve o título de catedrático de filosofia.
Nomeado professor na recém-formada Universidade de São Paulo (USP), se transferiu em 1935 para Brasília, onde dirigiu várias missões etnológicas no Mato Grosso e na Amazônia.
Partindo dos indígenas Bororo, Nambikwara e Tupi Kawahib do Brasil, Lévi-Strauss começou sua gigantesca pesquisa sobre a mitologia dos indígenas do continente, subindo de sul a norte, até chegar à Colúmbia britânica.
Contou essa experiência em sua autobiografia intelectual, "Tristes Trópicos" (1955), um dos mais importantes livros do século XX.
"Sempre fui um americanista por causa da impressão indelével provocada em mim pelo Novo Mundo, ao que se acrescenta seu ambiente, que dura ainda, causado por meu contato com uma natureza virgem e (...) Creio que nenhum outro continente precisa de tanta imaginação para ser estudado", afirmou.
De volta à França, foi mobilizado em 1939 para combater na Segunda Guerra Mundial. Mas no ano seguinte foi liberado devido a sua origem judaica. Se refugiou então nos Estados Unidos e ensinou em Nova York. Após a guerra, em 1946, foi nomeado conselheiro cultural da embaixada da França.
Em 1949, obteve o cargo de vice-diretor do Museu do Homem de Paris.
A partir de 1950 ocupou a cátedra de Religiões comparadas dos povos sem escrita da Escola de Altos Estudos de Paris e, em 1959, a de Antropologia Social do Colégio da França.
Foi o primeiro etnólogo eleito membro da Academia Francesa, em 1973.
Entre suas principais obras estão "Estruturas elementares do parentesco" (1949), "Antropologia estrutural" (1958), "Pensamento selvagem" (1962), os quatro tomos da série "Mitológicas" (publicados entre 1964 e 1971) e, como já citado, "Tristes trópicos".
Em "O pensamiento selvagem", editado em 1962, demonstra que não há uma verdadeira diferença entre o pensamento primitivo e o nosso. "Não se trata do pensamento dos selvagens e sim do pensamento selvagem. É uma forma que é atributo de toda a humanidade e que podemos encontrar em nós mesmos, mas preferimos, no geral, buscá-la nas sociedades exóticas", explicou.
É também autor de "Mitológicas", obra da qual o primeiro de seus quatro volumes ("O cru e o cozido") ilustra a oposição entre a natureza e a cultura. Lévi-Strauss sondou profundamente as relações entre cozinha e cultura.
Claude Lévi-Strauss morreu em Paris, onde morava num prédio discreto.
No ano passado, quando completou 100 anos, foi homenageado com uma dia dedicado a sua obra no Museu do Quai Branly, uma exposição na Biblioteca Nacional e a reedição de inúmeros de seus livros.
Pouco preocupado com a posteridade, não escreveu suas memórias, mas se abriu com Didier Eribon em um livro intitulado "De perto e de longe".
"Cada um de seus livros é um manual de pensamento que força a inteligência a abrir-se, e uma espécie de evangelho laico que ajuda a comover-se ante a vida", escreveu sua amiga e especialista em sua obra, a filósofa Catherine Clément.
Em uma das poucas entrevistas que deu nos últimos anos, em 2005, depois de evocar sua "dívida" para com o Brasil, afirmou: "vamos para uma civilização em escala mundial, na qual, provavelmente, aparecerão diferenças, pelo menos é preciso esperar. Estamos num mundo ao qual já não pertenço. O que eu conheci, o que eu amei, tinha 1,5 bilhão de habitantes. O mundo atual tem 6 bilhões de humanos. Já não é mais o meu mundo".
Casado pela terceira vez em 1954, Lévi-Strauss tinha dois filhos.
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